terça-feira, 25 de março de 2025

Anunciação do Senhor: o verdadeiro valor de um sim - 25 de março

 

Anunciação do Senhor: o verdadeiro valor de um sim

Origens
Na história da existência, constantemente somos desafiados pela vida a darmos uma 

resposta ativa, consciente e madura ante os apelos e desafios que a nossa própria 

existência nos interpela. A todo instante, somos colocados em uma posição de escolha, entre aquilo que se quer e aquilo que não se quer; entre o possuir e o nada ter; entre o ser e o não ser. 

Sim e não
O sim e o não fazem parte do nosso cotidiano, sem eles dificilmente poderíamos ser 

propriamente humanos. Eis o que diz o Senhor: “Hoje, estou colocando diante de ti a 

vida e a felicidade, a morte e a infelicidade” (Dt 30,15). Neste contexto de escolha

 propriamente humana, encontra-se a Virgem Mãe de Nazaré.

Eis a serva do Senhor
Maria, na plenitude de sua liberdade, escuta, mais do que a saudação de um anjo, a 

voz de Deus, a voz de sua própria consciência a te indagar: “Não temas, Maria! 

Encontraste graça junto de Deus. Eis que conceberás no teu seio e darás à luz um

 filho, e tu o chamarás com o nome de Jesus” (Lc 1,30). Diante da proposta, Maria dá 

sua resposta: “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua Palavra”. 

Foi por causa dessa resposta que o Eterno entrou no tempo; que o Todo assume em

 si o fragmento, Deus assume a forma humana para nos salvar.

Solenidade da Anunciação do Senhor: o sim de uma mulher

Solenidade
A Solenidade da Anunciação do Senhor, que encontra o seu fundamento bíblico 

situado na narrativa evangélica do evangelista Lucas, no capítulo 1, 26-38, é a 

solenidade que exalta, na sua estrutura interna, o sim de uma Mulher ao projeto

 salvífico de Deus, mas que, de modo mais singular, quer manifestar a grandiosidade 

do sim definitivo de Deus para com a humanidade. A anunciação do Senhor é a 

solenidade que, por excelência, expressa a vontade divina de querer dar-se a

 conhecer o homem e salvá-lo e, ao mesmo tempo, a disponibilidade do ser humano

 em acolher essa autorrevelação divina.

Encarnação do Verbo
O episódio narrado no Evangelho de Lucas mostra a origem histórica do problema

 enfrentado pelas primeiras comunidades cristã acerca da encarnação total do Verbo 

eterno de Deus no seio virginal de Maria. A narrativa explicita o diálogo realizado entre

 Divino e o humano, entre Maria e o anjo, o mensageiro de Deus. Maria, na narrativa, 

é interpelada pelo anjo, acerca da vontade divina, que encontrou nela, na simples

 jovem de Nazaré, graça diante de Deus. Nesse episódio evangélico, contemplamos

 que a liberdade humana, que é fruto do amor de Deus aos homens, nunca foi violado

 pelo Criador; ao contrário, Ele propõe a Maria uma missão, e Maria, na sua total

 liberdade, se dispõe a realizá-la, mesmo não sabendo como tudo se daria.

Debates acerca da Encarnação e Divindade de Jesus

Discussão sobre Maria e Jesus
Essa bela narrativa, a pouco comentada, muito fora debatida pelos Padres da Igreja, 

na reta intenção de defender não somente a Virgindade e Maternidade de Maria, mas, 

sobretudo, a real Encarnação e Divindade de Jesus, seu filho. Em meados dos anos

 325 d.C., com o Concílio de Nicéia e de Constantinopla (381), foram estabelecidos no

 símbolo da fé, o Credo Nicenoconstantinopolitano, a sentença dogmática de que,

 verdadeiramente, o Verbo eterno de Deus encarnado no seio da humanidade, por

 meio da concepção virginal de Maria, era realmente o Filho de Deus. 

A Natureza Humana de Jesus
Em Jesus, a natureza humana e divina coabitavam mutuamente, sem confusão, mas

 em plena união hipostática de naturezas. O pequeno e humilde carpinteiro de Nazaré

 era, na verdade, o verdadeiro Filho de Deus, emanada na história humana pela ação 

do Espírito Santo.

Theotokos
Contudo, foi somente em 431 d.C., no Concílio de Éfeso, que a Igreja proclama 

solenemente Maria como Mãe de Deus (Theotokos), defendendo, dessa maneira, a

 real Encarnação do Filho de Deus no seio da humanidade, por meio do sim de Maria. 

Tal decreto resultou posteriormente a instituição da festa litúrgica da Anunciação do 

Senhor. Todavia, a Igreja, por volta do século VI, sob o comando do Pontífice Sérgio I,

 introduziu definitivamente, no calendário litúrgico da Igreja romana, a solenidade da 

Anunciação do Senhor, que é celebrada todos os anos no dia 25 de março, a exatos

 nove meses antes do Natal do Senhor.

Uma graça para a humanidade
De fato, no sim de Maria, o sim de Deus em favor da humanidade é plenamente

 realizado. Em Maria, Deus realiza o seu projeto salvífico no tempo e na história

 humana. Se por Eva nos veio a desgraça, por Maria nos foi novamente aberta as

 portas da Graça.

Momento para refletir: como anda o seu sim para os projetos de 

Deus?

Sentido da Solenidade
Celebrar a solenidade da Anunciação do Senhor é dar graças a Deus por todos os 

benefícios que, pelo sim de Maria, o Senhor nos dispensou. Celebrar a festa solene

 da Anunciação do Senhor é contemplar a salvação de Deus realizada no sim de uma

 Mulher. É contemplar o sim de Deus, por meio de uma Mulher.
O sim de Maria foi um sim que mudou o curso da história. O sim de Maria nos

 possibilitou conhecermos o Pai, revelado pelo Filho, no poder e na ação do Espírito

 Santo. Somos convidados a mudar o curso da história em razão do nosso sim a Deus, ao projeto de Deus.

Deus em meio a nós
Deus quer habitar no mundo, na realidade do mundo, na nossa família, na nossa

 sociedade, no nosso país. Mas para que isso posso se realizar, é preciso que também

 nós sejamos, assim como a pequena jovem de Nazaré, abertos e generosos a

 acolher a vontade de Deus em nossa vida, para que o verdadeiro valor de um sim

 possa transformar o curso da história.

Minha oração
“ Ó Virgem Santíssima, sempre disposta a fazer a vontade do Pai, com seu sim

 contribuíste para a salvação. Dai-nos a graça de fazer a nossa parte no plano 

salvífico também dizendo o nosso sim a Deus e ao seu chamado de amor. Amém.”

Nossa Senhora, rogai por nós! 

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