domingo, 26 de abril de 2026

nossa Senhora do Bom Conselho

*SANTO DO DIA*

*NOSSA SENHORA DO BOM CONSELHO*
A poucos quilômetros da cidade de Roma, fica Genazzano – uma cidade rica em história e abençoada com a presença de uma pintura milagrosa da Virgem Santíssima que tem uma história extraordinária. As origens de Genazzano remontam aos tempos dos imperadores romanos. Por causa da sua proximidade com Roma, a cidade foi escolhida por muitos patrícios e cortesãos imperiais como um local para suas casas de campo. Os vastos jardins que circundam essas moradias frequentemente serviram como palco de festas perversas, jogos e rituais pagãos em honra dos deuses a quem os romanos atribuíam a fertilidade de seus campos. Uma dessas celebrações era realizada todo dia 25 de abril em honra da deusa Flora ou Vênus. Para esse evento, pessoas de todas as classes – homens livres e escravos, patrícios e plebeus – se reuniam para uma grande festa. Essa prática gradualmente se dissolveu e os templos caíram em ruinas enquanto o sopro vivificador do Cristianismo regenerava os povos da Europa. No século III, foi dada uma ordem para construir um santuário dedicado à Mãe de Deus sob a terna invocação de Mãe do Bom Conselho, sobre as ruínas dos templos romanos. Com o passar dos anos, a cidade se tornou mais populosa e o santuário cresceu em fama. Durante a Idade Média, os franciscanos e os agostinianos fundaram mosteiros nas proximidades. Com o tempo, a igreja primitiva erigida em honra da Mãe do Bom Conselho começou a mostrar sinais de degradação. Além disso, como o santuário era pequeno, os fiéis construíram igrejas maiores e mais ricas para suas solenes funções. Em 1356, por volta de um século antes da aparição da pintura milagrosa que introduziria Genazzano nos anais das maravilhas da Igreja, o príncipe Pietro Giordan Colonna, cuja família adquiriu senhorio na cidade, atribuiu a Igreja mais antiga da cidade e sua paróquia aos cuidados dos Eremitas de Santo Agostinho. Os fiéis teriam, assim, a assistência pastoral necessária, e reparos poderiam ser feitos na Igreja antiga. Apesar das orações dos fiéis terem se intensificado, as dificuldades financeiras impediram a restauração urgente e necessária do antigo templo. Mas a Mãe que dá sábios conselhos em todas as circunstâncias e atentamente provê as necessidades dos homens, escolheu uma terceira-agostiniana, Petruccia de Nocera, para realizar um prodígio sobrenatural que traria a tão desejada restauração. Petruccia tinha recebido uma modesta fortuna depois da morte do seu marido em 1436. Vivendo sozinha, ela dedicou a maior parte do seu tempo às orações e aos serviços na igreja da Mãe do Bom Conselho. Entristeceu-a ver o estado deplorável das instalações sagradas e ela rezou fervorosamente para sua restauração. Finalmente, ela resolveu tomar a iniciativa. Depois de obter permissão dos frades, ela doou seus bens para iniciar a restauração na esperança de que outros a ajudariam a concluí-la uma vez que havia começado. Um plano foi traçado para a construção de uma magnífica igreja. No entanto, uma vez que a ardorosa tarefa havia começado, Petruccia, que já tinha 80 anos de idade, notou que sua generosa oferta foi escassamente suficiente para completar a primeira fase da nova construção. Para piorar a situação, ninguém veio ajudá-la. Para seu espanto, a construção mal havia subido 1 metro, quando a construção parou devido à falta de recursos. Seus amigos e vizinhos começaram a ridicularizá-la. Detratores a acusaram de imprudência. Outros severamente repreenderam-na em público. Para todos eles ela dizia: “Meus queridos filhos, não dêem tanta importância para essa aparente desgraça. Eu lhes asseguro que antes da minha morte a Santíssima Virgem e nosso santo pai Agostinho finalizarão a igreja começada por mim”. Em 25 de abril de 1467, o dia da festa do patrono da cidade, São Marcos, uma solene celebração foi iniciada com a missa. Era sábado, a multidão começou a se reunir em frente à Igreja da Mãe do Bom Conselho. A única nota discrepante na celebração foi o trabalho inacabado de Petruccia. Por volta das quatro da tarde, todos ouviram os acordes de uma bela melodia que parecia vir do céu. As pessoas olharam para as torres da igreja e viram uma nuvem branca que brilhava com milhares de raios luminosos e que, gradualmente, se aproximava da multidão estupefata ao som de uma melodia excepcionalmente bela. A nuvem desceu na Igreja da Mãe do Bom Conselho e pousou sobre a parede da capela inacabada de São Biagio, que Petruccia havia começado. De repente, os sinos da antiga torre começaram a tocar por si. Os outros sinos da torre também tocaram milagrosamente em uníssono. Os raios que emanavam da nuvenzinha se apagaram e a própria nuvem gradualmente desapareceu, revelando um belo objeto, sob o olhar encantado dos espectadores. Era uma pintura que representava Nossa Senhora ternamente segurando seu Divino Filho nos seus braços. Quase imediatamente, a Virgem Maria começou a curar os doentes e conceder consolações incontáveis, cujas memórias foram gravadas para a posteridade pelas autoridades eclesiásticas locais. As noticias da pintura e seus milagres se espalharam pela província e além, atraindo as multidões. Algumas cidades formaram procissões entusiásticas para ver a imagem que o povo chamou de Madonna do Paraíso por causa da sua celestial entrada na cidade. Numerosas esmolas foram doadas como resposta à confiança inabalável que Nossa Senhora inspirou em Petruccia. Em meio ao entusiasmo geral causado pela pintura, Nossa Senhora quis divulgar a verdadeira origem do maravilhoso afresco para seus devotos. Dois estrangeiros, cujos nomes eram Giorgio e De Sclavis, entraram na cidade no meio de um grupo de peregrinos que vinham de Roma. Eles vestiam roupas estranhas e falaram uma língua estrangeira, dizendo que eles haviam chegado em Roma no início daquele ano a partir da Albânia. Enquanto a maioria das pessoas se recusava a acreditar nos dois estrangeiros, a história deles teve um significado especial para os habitantes de Genazzano.
* JORGE CASTRIOTA, MELHOR CONHECIDO COMO SkanderberG
Em Janeiro de 1467 morreu o último grande líder albanês, Jorge Castriota, melhor conhecido como Skanderbeg. Elevado por um chefe albanês, ele se colocou à frente do seu próprio povo. Posteriormente, Skanderbeg infligiu impressionantes derrotas ao exército turco e ocupou fortalezas por toda a Albânia. Com a morte de Skanderbeg, o exército turco, finalmente livre deste Fulminante Leão da Guerra, voltou para Albânia, ocupando todas as fortalezas, cidades e províncias com exceção de Scutari, no norte do país. No entanto, a capacidade de resistir da cidade era limitada e sua captura era esperada a qualquer momento. Com sua queda, a Albânia cristã seria derrotada. Diante desta perspectiva, aqueles que queriam praticar sua fé em terras cristãs começaram um triste êxodo. Giorgio e De Sclavis também estudaram a possibilidade de fugir, mas algo os manteve em Scutari, onde havia uma pequena igreja, considerada o santuário de todo o Reino Albanês. Nessa igreja os fiéis veneravam uma imagem de Nossa Senhora que tinha misteriosamente descido dos céus duzentos anos antes. De acordo com a tradição, ela veio do leste. Tendo derramado inumeráveis graças sobre toda a população, sua igreja se tornou o principal centro de peregrinação na Albânia. O próprio Skanderbeg tinha visitado esse santuário mais de uma vez para ardentemente pedir a vitória nas batalhas. Agora o santuário estava ameaçado por uma iminente profanação e destruição. Os dois albaneses ficaram aflitos com a idéia de deixar o grande tesouro da Albânia nas mãos do inimigo para fugirem do terror turco. Na sua perplexidade, eles foram para a antiga igreja pedir à Santíssima Virgem o bom conselho que eles precisavam. Naquela noite, a Consoladora dos Aflitos os inspirou a ambos em seu sono. Ela os ordenou que se preparassem para deixar seu país, que jamais veriam novamente. Ela acrescentou que o milagroso afresco também estava deixando Scutari para outro país para escapar da profanação dos turcos. Finalmente, ela os ordenou a seguir a pintura onde ela fosse. Na manhã seguinte, os dois amigos foram ao santuário. Em certo momento eles viram a imagem se destacar da parede onde esteve pendurada por dois séculos. Deixando seu nicho, ela pairou no ar por um momento e foi, de repente, envolta numa nuvem branca na qual a imagem continuava ainda visível. A pintura peregrina deixou a igreja e os arredores de Scutari. Viajou lentamente pelo ar numa altitude considerável e avançou em direção ao mar Adriático numa velocidade que permitia os dois albaneses acompanhá-la. Depois de percorrer uns 38 quilômetros, eles chegaram à costa. Sem parar, a imagem deixou a terra e avançou sobre as águas, enquanto Giorgio e De Sclavis, mantendo a confiança, continuaram a segui-la, caminhando sobre as ondas assim como seu Divino Mestre fez no Lago de Genesaré. Quando a noite caía, a nuvem misteriosa, que os havia protegido com sua sombra do calor do sol, guiava-os à noite com luz, como a coluna de fogo no deserto guiou os Judeus em seu êxodo do Egito. Eles viajaram dia e noite até chegarem à costa italiana. Lá, continuaram a seguir a imagem milagrosa, escalando montanhas, vadeando rios e passando através de vales. Finalmente, chegaram à vasta planície de Lazio, de onde podiam ver as torres e cúpulas de Roma. Ao chegar às portas da cidade, a nuvem desapareceu de repente diante de seus olhos decepcionados. Giorgio e De Sclavis começaram a procurar na cidade, indo de igreja em igreja, perguntando se a pintura havia descido lá. Todas suas tentativas para encontrar a pintura falharam e os romanos receberam os dois estrangeiros e seu estranho conto com incredulidade. Pouco tempo depois, notícias surpreendentes chegaram a Roma: uma imagem de Nossa Senhora apareceu nos céus de Genazzano ao som de uma bela música e tinha vindo para ficar na parede de uma igreja que estava sendo reconstruída. Os dois albaneses correram para encontrar o tesouro amado de seu país milagrosamente suspenso no ar próximo à parede da capela onde permanece até hoje. Embora alguns habitantes acharam a história dos estrangeiros difícil de acreditar, investigações cuidadosas mais tarde provaram que os dois estavam contando a verdade e que a imagem era mesmo a mesma que agraciava o santuário em Scutari. Assim Maria Santíssima, com a humilde participação de uma piedosa terceira-agostiniana de um lado do Adriático e dois fiéis albaneses do outro, transportou seu misterioso afresco da infeliz e desventurada Albânia para uma pequena cidade muito perto do coração da Cristandade. Começando sua histórica jornada do pequeno santuário albanês, que ela havia escolhido não por acaso, ela viajou sobre o mar para derramar sobre o mundo uma nova torrente de graças sob a invocação de Mãe do Bom Conselho.
*NOSSA SENHORA DO BOM CONSELHO - ROGAI A DEUS PAI POR NÓS!*

*FONTE:*
VATICANNEWS, PAULUS, BÍBLIA DE JERUSALÉM, BÍBLIA PEREGRINO, MISSAL COTIDIANO, CATÓLICO ORANTE, CIC, DEHONIANOS, FRANCISCANO, ARQUISP.

Evangelho de hoje

*26/04/2026 - DOMINGO - 4º. DOMINGO DO TEMPO DA PÁSCOA*

*1ª. Leitura:* (At 2,14a.36-41
*Salmo responsorial:* 22(23)
*2ª. Leitura:* (1Pd 2,20b-25)
*EVANGELHO DO DIA*
*(Jo 10,1-10)*

*Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João*
*Naquele tempo, disse Jesus:  1  “Em verdade, em verdade vos digo, quem não entra no redil das ovelhas pela porta, mas sobe por outro lugar, é ladrão e assaltante.  2  Quem entra pela porta é o pastor das ovelhas.  3  A esse o porteiro abre, e as ovelhas escutam a sua voz; ele chama as ovelhas pelo nome e as conduz para fora.  4  E, depois de fazer sair todas as que são suas, caminha à sua frente, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz.  5  Mas não seguem um estranho, antes fogem dele, porque não conhecem a voz dos estranhos”.  6  Jesus contou-lhes essa parábola, mas eles não entenderam o que ele queria dizer.  7  Então Jesus continuou: “Em verdade, em verdade vos digo, eu sou a porta das ovelhas.  8  Todos aqueles que vieram antes de mim são ladrões e assaltantes, mas as ovelhas não os escutaram.  9  Eu sou a porta. Quem entrar por mim será salvo; entrará e sairá e encontrará pastagem.  10  O ladrão só vem para roubar, matar e destruir. Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”.*
*Palavra da salvação.*
Glória a vós Senhor!

sábado, 25 de abril de 2026

São Marcos, o primeiro a escrever os ensinamentos de Jesus - 24 de abril

 

São Marcos, o primeiro a escrever os ensinamentos de Jesus

Sao marcos o primeiro a escrever os ensinamentos de jesus

Origem
Marcos era de família judaica, também conhecido no livro dos Atos do Apóstolos com

 o nome de João Marcos (cf. At 12, 12). Era filho de Maria, que, segundo a tradição,

 seria uma viúva de boas condições financeiras naquela época. Sua mãe, 

possivelmente, foi quem colaborou com os primeiros cristãos, abrigando-os em sua

 casa no início do cristianismo. 

Interessante
Alguns biblistas cogitam a possibilidade de ter sido a casa da família de Marcos

 usada por Jesus e pelos Apóstolos durante a última ceia.

Vida
Mesmo Marcos não sendo um dos doze Apóstolos, é provável que ele tenha

 conhecido Jesus. Muitos estudiosos da área bíblica acreditam que Marcos foi o

 rapaz que largou o lençol, única roupa em que estava coberto, fugindo nu no 

momento em que Jesus era preso no Getsêmani (Mc 14, 51-52).

São Marcos: descreveu e transmitiu as principais pregações

 de São Pedro sobre Jesus

Primeiras famílias cristãs
O que se sabe com precisão é que São Marcos era primo de Barnabé, figura 

importante na difusão do cristianismo.  Marcos foi grande companheiro de Paulo

 em sua primeira viagem missionária, além de permanecer ao seu lado hora de 

sua morte.

Discípulo de Pedro
Marcos foi fiel discípulo de São Pedro, em Roma. Pedro demonstrou tal afeição 

por Marcos que o chamou carinhosamente de “meu filho” (cf. 1Pd 5, 13). Foi sob 

a inspiração do Espírito Santo que Marcos escreveu em seu evangelho os 

ensinamentos do grande Apóstolo Pedro, tornando-se assim o seu intérprete, 

registrando as pregações do grande Apóstolo. 

Os registros do primeiro evangelho
A principal missão do evangelista Marcos foi descrever e transmitir as principais

 pregações de Pedro sobre Jesus. São Marcos tornou-se um grande modelo, pois 

seguiu com fidelidade a ordem de ir pelo mundo inteiro pregando o evangelho a toda 

criatura. Seu evangelho é o menor entre os quatro evangelistas, porém, é considerado

 o primeiro a ser escrito, servido de base para os evangelistas Mateus e Lucas. 

Seu conteúdo é um urgente convite para conhecermos com profundidade quem 

é Jesus.

São Marcos: Padroeiro de Veneza

Páscoa
Após os martírios de São Pedro e São Paulo, Marcos dirigiu-se para Alexandria, 

sendo reconhecido como evangelizador e primeiro Bispo desta parcela da Igreja. 

Marcos morreu entre os anos 68 e 72, acredita-se que foi martirizado em Alexandria,

 no Egito. No ano de 825, suas relíquias foram transportadas para a cidade de

 Veneza, onde até hoje é venerado como Padroeiro.

Minha oração
“Que a exemplo de São Marcos, sejamos fiéis, amigos e companheiros uns dos

 outros no serviço da evangelização, levando com coragem a Palavra de Deus ao 

mundo inteiro, despertando nos corações o desejo de conhecer quem é Jesus 

Cristo.”

São Marcos Evangelista, rogai por nós!

Conclusão do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos 16,15-20

 Conclusão do Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos 

16,15-20

Naquele tempo,
Jesus se manifestou aos onze discípulos,

e disse-lhes:
"Ide pelo mundo inteiro
e anunciai o Evangelho a toda criatura!

Quem crer e for batizado será salvo.
Quem não crer será condenado.

Os sinais que acompanharão

aqueles que crerem serão estes:
expulsarão demônios em meu nome, falarão novas línguas;

se pegarem em serpentes ou beberem algum veneno mortal
não lhes fará mal algum;
quando impuserem as mãos sobre os doentes,
eles ficarão curados".

Depois de falar com os discípulos,
o Senhor Jesus foi levado ao céu,
e sentou-se à direita de Deus.

Os discípulos então saíram

e pregaram por toda parte.
O Senhor os ajudava e confirmava sua palavra
por meio dos sinais que a acompanhavam.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

OS ÓCULOS DE DEUS! Pe. Gilberto Kasper Teólogo

 

OS ÓCULOS DE DEUS!

 

 

 

Ao ler a Exortação Apostólica do Santo Padre Leão XIV, Dilexi Te – Sobre o Amor para com os Pobres, lembrei-me de uma estorinha que ouvi ao participar de um curso para formadores de seminários, em Vitória (ES), no ano de 1996, que gostaria novamente de partilhar com os estimados leitores. Quem a contou foi Gaston de Mezerville, psicólogo especializado na formação de formadores de seminários. Livremente a traduzo para nossa reflexão, do espanhol para o português.

Numa pequena cidade, certa vez morreu um agiota. Foi para o céu. Estando diante da porta entreaberta do céu, nem ele acreditou poder estar ali. A porta do céu estava entreaberta, mas não havia ninguém para recebê-lo. Nem mesmo São Pedro, a quem costumamos atribuir a tarefa de acolher as pessoas na porta do céu. Não havia ninguém e não se ouvia nada. Nenhum barulho de anjos, santos, enfim, o céu estava vazio, embora com a porta entreaberta. O agiota entrou. Entrou e sentiu-se como nunca: leveza de alma, serenidade e harmonia indescritíveis. Foi adentrando e conhecendo cada cômodo do céu, mas não via ninguém. Um profundo silêncio pairava no céu.

Chegou diante de outra grande porta, sobre a qual havia um letreiro: Escritório de Deus! Também aquela porta estava entreaberta, mas não havia ninguém. O agiota entrou. Viu uma mesa, atrás dela uma grande cadeira, diante da mesa um banquinho e sobre a mesa os Óculos de Deus!

Imediatamente colocou os Óculos de Deus e passou a ver tudo como Deus certamente vê: o universo inteiro de uma só vez. Minuciosamente procurou sua cidadezinha. Lá viu seu sócio de agiotagem ameaçando uma pobre viúva que não tinha como lhe pagar os altos juros do empréstimo que fizera. Com os Óculos de Deus viu a injustiça que o sócio cometia. Não pensou duas vezes em fazer justiça para com a pobre viúva. Tomou o banquinho diante da mesa, mirou a testa do sócio e a jogou em sua direção. O sócio teve morte instantânea. Feito isso, ouviu barulho de anjos, santos, até de Nossa Senhora no céu. Era toda a corte retornando de um piquenique celestial. Virando-se, viu também Deus, parado na entrada do escritório. Colocou de volta os Óculos de Deus, desculpou-se e tentou justificar sua entrada no céu, porque encontrara a porta entreaberta.

Deus lhe perguntou o que acabara de fazer. O agiota, todo orgulhoso, contou a Deus o que vira com os óculos sobre a mesa e que fizera justiça com uma pobre viúva, que estava sendo ameaçada por seu sócio. E Deus começou a chorar. O agiota, comovido disse: “Por que o Senhor chora? Não agi corretamente fazendo justiça?” E Deus respondeu entre lágrimas: “Que pena, meu filho. Você fez sim justiça com os Óculos de Deus. Mas o que eu esperava mesmo, é que amasse e tivesse misericórdia com o Coração de Deus”!

Eis o que Deus espera de nós: promover a justiça com Seus olhos, mas sem deixar de amar e ser misericordiosos com o Seu coração!

(A pedido dos leitores, reproduzo o presente artigo)

Pe. Gilberto Kasper

          Teólogo

 

 

São Jorge, o santo comparado a São Miguel no Oriente - 23 de abril

 

São Jorge, o santo comparado a São Miguel no Oriente

Origens
São Jorge, cujo nome de origem grega significa “agricultor”, nasceu na Capadócia, 

por volta do ano 280, em uma família cristã. Transferiu-se para a Palestina, onde se 

alistou no exército de Diocleciano. Em 303, quando o imperador emanou um edito 

para a perseguição dos cristãos, Jorge doou todos os seus bens aos pobres e, 

diante de Diocleciano, rasgou o documento e professou a sua fé em Cristo.

 Por isso, sofreu terríveis torturas e, no fim, foi decapitado.

As lendas do Santo
São inúmeras as narrações fantasiosas, que nasceram em torno da figura de São

 Jorge. Um dos seus episódios mais conhecidos é o do dragão e a jovem, salva pelo

 santo, que remonta ao período das Cruzadas. Narra-se que na cidade de Selém,

 Líbia, havia um grande pântano, onde vivia um terrível dragão. Para aplacá-lo, os

 habitantes ofereceram-lhe dois cabritos, por dia e, vez por outra, um cabrito e um

 jovem tirado à sorte. Certa vez, a sorte coube à filha do rei. Enquanto a princesa 

se dirigia ao pântano, Jorge passou por ali e matou o dragão com a sua espada. 

Este seu gesto tornou-se símbolo da fé que triunfa sobre o mal.

Validação Histórica
No lugar da sua sepultura, em Lida, – um tempo capital da Palestina, agora cidade

 israelense, situada perto de Telavive, – foi construída uma Basílica, cujas ruínas 

ainda são visíveis. Até aqui, a Passio Georgii classificada, pelo Decreto Gelasianum,

 no ano 496, entre as obras hagiográficas é definida Passio lendária. Entre os

 documentos mais antigos, que atestam a existência de São Jorge, uma epígrafe

 grega, do ano 368, – descoberta em Eraclea de Betânia, – fala da “casa ou igreja 

dos santos e triunfantes mártires, Jorge e companheiros”. Foram muitas, ao longo

 dos anos, as narrações posteriores à Passio.

São Jorge: Padroeiro dos cavaleiros, soldados, escoteiros,

 esgrimistas e arqueiros

Padroeiro
São Jorge é considerado Padroeiro dos cavaleiros, soldados, escoteiros, esgrimistas

 e arqueiros. Ele é invocado ainda contra a peste, a lepra e as serpentes venenosas. 

O Santo é honrado também pelos muçulmanos, que lhe deram o apelativo de

 “profeta”.

Curiosidade
Entre os cristão do oriente, sejam católicos latinos ou de outros ritos, assim como 

os ortodoxos, a devoção a São Jorge é bem expressiva. Comparando com os cristãos

 do ocidente, é invocado na mesma proporção que São Miguel Arcanjo.

De mártir a Santo guerreiro
Os cruzados contribuíram muito para a transformação da figura de São Jorge de 

mártir em Santo guerreiro, comparando a morte do dragão com a derrota do Islamismo. Com os Normandos, seu culto arraigou-se profundamente na Inglaterra, onde, em 1348, o rei Eduardo III

 instituiu a “Ordem dos Cavaleiros de São Jorge”. Durante toda a Idade Média, a sua 

figura tornou-se objeto de uma literatura épica, que concorria com os ciclos bretão e

 carolíngio.

Devoção a São Jorge

Memória Facultativa
Na falta de notícias sobre a sua vida, em 1969, a Igreja mudou a sua celebração:

 de festa litúrgica passou a ser memória facultativa, sem alterar seu culto. As 

elíquias de São Jorge encontram-se em diversos lugares do mundo. Em Roma, na

 igreja de São Jorge em Velabro é conservado seu crânio, por desejo do Papa 

Zacarias. Como acontece com outros santos, envolvidos por lendas, poder-se-ia 

concluir que também a função histórica de São Jorge é recordar ao mundo uma

 única ideia fundamental: que o bem, com o passar do tempo, vence sempre o mal

A luta contra o mal é uma dimensão sempre presente na história humana, mas esta 

batalha não se vence sozinhos: São Jorge matou o dragão porque Deus agiu por

 meio dele. Com Cristo, o mal jamais terá a última palavra!

Oração
Ó São Jorge, meu Santo Guerreiro, invencível na fé em Deus, que trazeis em vosso 

rosto a esperança e confiança, abre meus caminhos. Eu andarei vestido e armado 

com vossas armas, para que meus inimigos tendo pés não me alcancem, tendo mãos

 não peguem, tendo olhos não me enxerguem nem pensamentos possam ter para me

 fazerem mal. Armas de fogo o meu corpo não alcançarão, facas e lanças se 

quebrarão sem ao meu corpo chegar, cordas e correntes se arrebentarão sem o

 meu corpo amarrar. Glorioso São Jorge, em nome de Deus, estendei vosso escudo

 e vossas poderosas armas, defendendo-me com vossa força e grandeza. Ajudai-me 

a superar todo desânimo e a alcançar a graça que vos peço (fazer o seu pedido).

 Dai-me coragem e esperança, fortalecei minha fé e auxiliai-me nesta necessidade.

 Amém.

Minha oração
“Poderoso guerreiro, defendei-nos do mal e da tentação, assim como ensinai-nos a 

defender a nossa fé e os mais necessitados, tudo por amor a Cristo. Amém.”

São Jorge, rogai por nós!